Josefa Paulino “sozinho a gente não é ninguém”

Josefa Paulino da Silva foi uma importante líder camponesa, infelizmente, hoje pouco comentada. Ela levou uma vida difícil, por perder os pais ainda muito nova, ela foi entregue a uma família em Maceió, mas logo se mudou para recife trabalhar como empregada doméstica, porém trabalhava em condições extremamente precárias, recebendo pouca comida e não frequentava escola. Mesmo assim, a menina não desistiu e aprendeu a ler sozinha e estudar usando as cartilhas dos filhos dos patrões.

Aos dezesseis anos Josefa decidiu voltar para Maceió, onde começou a namorar José Pureza, com quem se casou alguns anos depois. Os dois mudaram-se para Xerém, no município de Duque de Caixas, RJ.

Inicialmente, seu marido trabalhava em terras do Estado, organizando trabalhadores rurais, e ela preferia trabalhar como costureira, pois as lembranças da roça a faziam lembrar das condições em que seus pais haviam trabalhado. Porém, com a falência do local onde trabalhava, ela decidiu superar os receios e se juntar ao marido, onde se juntou com outras mulheres e organização eventos para arrecadação de recursos para o movimento.

Com um grave problema com os posseiros, que obrigavam os donos de terras a vende-las por preços baixos, Josefa juntou suas forças e se tornou uma das maiores lideranças rurais, mesmo naquela época tão sexista.

Ela também participou do Congresso Nacional das Mães e o Congresso das mulheres trabalhadoras, representando as trabalhadoras rurais.

Josefa fazia também manifestações na frente de delegacias para que os maridos presos injustamente fossem libertados. Assim, ela formou a os departamentos femininos (comissão de mulheres).

Depois do golpe de 1964, Josefa e o marido foram perseguidos pela polícia, sendo presos mais tarde, mas enquanto ela passou apenas 32 dias na prisão o marido passou meses sendo vítima de tortura, o que diminuiu seu entusiasmo na militância após sua liberdade. Mesmo assim, Josefa seguiu forte, ajudou a criar o Centro da Mulher de Brasileira de Niterói e seguiu lutando pelos seus direitos ate sua morte sempre em mente que “Sozinho a gente não é ninguém. A gente só é muita coisa junto com o povo”

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