Mãe no mercado de trabalho

Ser esposa, mãe, dona de casa e profissional. Lavar e passar as roupas, limpar e arrumar a casa, cuidar dos filhos, lavar a louça e trabalhar. É por esse caminho que se inicia a grande sobrecarga e exaustação da maior parte das mulheres atualmente. Mesmo com a conquista da entrada da mulher no mercado de trabalho, as condições e oportunidades não se tornaram totalmente iguais até hoje, além do esforço em dobro necessário para ser considerada do mesmo nível e com a mesma potência que os homens na área profissional, as tarefas domésticas e a responsabilidade pela criação dos filhos ainda cai nos ombros da mulher. Segundo o site BBC.com, no ano de 2015, as mulheres gastavam por volta de 20 horas e meia por semana em tarefas de casa enquanto os homens gastavam em média dez horas.  

Muitas dessas desigualdades aparecem quando se fala em maternidade. Existem muitas falhas estruturais para lidar com a gravidez no mercado de trabalho ainda não resolvidas, um exemplo delas é a falta de condições, principalmente em trabalhos que envolvem algum tipo de força braçal. Essa pode ser exemplificada pela experiência compartilhada pela cozinheira carioca Pitty Lacerda durante sua gravidez em uma entrevista para a rádio Piauí, no programa Maria vai com as outras: “(…) a gente tinha uma máquina muito pesada, com a qual eu trabalhava constantemente, que ficava embaixo do meu balcão de trabalho(…).”. 

A falta de apoio para o desenvolvimento profissional feminino, na maioria das vezes, também ocorre por conta do período de maternidade das mulheres. Nesses casos, é considerado mais eficiente contratar homens, já que “não fazem parte” de um período de gravidez, tendo assim uma licença menor e sendo menos ausentes, mas vale sempre lembrar que mamãe não fez nenê sozinha 🙂. Para mostrar o quanto a responsabilidade cai injustamente para a mulher, o radialista Paulinho Coruja, em uma entrevista também para a rádio Piauí, no episódio “Profissão família” conta: “(…) eu não lembro em qual shopping que eu tava, e aí eu precisava trocar a fralda do LiôLiô era um bebe, e aí eu olhei e falei: cara beleza, onde que é o fraldário? Quando cheguei na porta do fraldário, aí o segurança: não, só pode entrar mulher. Eu falei: meu amigo, eu to com o meu filho e eu to vindo encontrar minha mulher, minha mulher não chegou ainda(…)”.  

Muitos aspectos ainda precisam ser discutidos e alterados em relação a maternidade dentro do mercado de trabalho para que se torne algo mais igualitário e menos exaustivo, sendo o primeiro passo considerar essa questão como um problema estrutural familiar, e não particular de cada mulher.  

  

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