por que legalizar o aborto?

Mas é uma vida! Que pensamento egoísta.

O feto tem direito a vida, fora que ele sofre durante o procedimento

 

Com esses e vários outros argumentos, que as pessoas se tornam contra a legalização do aborto, mas vamos entender um pouco mais sobre isso.

No Brasil, o aborto é legalizado para alguns casos específicos, sendo eles: se o bebê for fruto de um estupro, se a gravidez ou o parto vão causar na morte da mãe ou se a criança vai nascer sem cérebro, ou seja, anencefálica. Se a gestante se encaixar em algum destes quadros acima, ela tem o direito de realizar o procedimento até o final do primeiro trimestre de gravidez.

Tá, mas agora você deve estar se perguntando: se a mulher já tem esses direitos, porque o aborto deveria ser legalizado? Aqui embaixo, eu vou te mostrar os principais argumentos que me convenceram de que o aborto deve sim entrar dentro da lei (exato, eu também não concordava)…

  1. Contraceptivos

“Por que não usou camisinha?”, “Não se preveniu e agora quer voltar atrás”

Contra esses argumentos, entrarmos na parte de: sexo ainda é sim um tabu, e por isso, milhares de responsáveis não se sentem confortáveis de conversarem com seus filhos sobre o assunto, fazendo com que inúmeros jovens (principalmente os de periferia, que tem um acesso mais restrito a informação), não saibam como se proteger, fazendo com que assim, ganhem uma gravidez indesejada.

Também, por outro olhar, podemos lembrar que, absolutamente nenhum método preventivo é realmente eficaz e pode te trazer 100% de segurança. Por exemplo: 8 em cada 100 mulheres que tomam pílula, engravidam; e de 100 meninas que usaram camisinha, o número pode variar de 2 a 15, com adesivo o número é de 9% no uso típico; injeção, 6% no uso típico. Até com DIUs existem casos de mulheres que entraram em gestação, sendo o de cobre com o percentual maior (0,8%).

Ou seja, abortar não é um método contraceptivo, mas ele se torna uma opção quando eles falham.

2.  Cultura do Estupro

E olha ela aqui de novo. Sim, ela está envolvida nisso também. Caso você não sabe o que seja, um resuminho: a cultura do estupro é quando por exemplo, culpam a vítima por conta de sua roupa quando é assediada, é quando passam pano para um homem que assediou ou estuprou uma mulher, ou quando, duvidam da vítima, e é nesta parte que ela entra nesta discussão.

Mesmo que o aborto seja legalizado para mulheres que sofreram um estupro, muitas delas, ao chegarem e denunciarem e pedirem para realizar o procedimento, são muitas vezes, questionadas pelos próprios policiais e delegados, fazendo com que a vítima se sinta insegura, culpada e muitas vezes a faça desistir da ideia, ou o próprio julgador não concede a vítima este direito, por não acreditar na denuncia. Complicado né?

3.   Classes Sociais

Sabemos que o aborto, independente de estar na lei ou não, é realizado por diversas mulheres, (o IBGE apontou que, mais ou menos, 7,4 milhões de brasileiras ja abortaram), a questão é, as que tem dinheiro, conseguem realizar em cli1nicas clandestinas relativamente boas, com médicos (por mais que de maneira criminal), ou mesmo, saindo do país e realizando o ato em algum Estado que seja legalizado. Agora as mulheres que não tem condições, normalmente sofrem muito ao realizar o procedimento, ou mesmo morrem já que fazem em suas próprias casas, sem nenhum preparo, segurança ou pessoa que a possa auxiliar. Muitas chegam a fazer coisas extremas na hora do desespero, como fazer o uso de utensílios domésticos, como cabides, ou mesmo a ingestão de remédios proibidos e que podem causar fortes sequelas.

Se o aborto fosse legalizado, e assim, todas tivessem acesso, pouquíssimas, na realidade, quase nenhuma mulher iria correr riscos de saúde. Com o aborto dentro da lei, se garante uma segurança maior a vida e a dignidade de milhares de mulheres.

4.  Questão de Saúde Pública

No Brasil, o aborto clandestino é a quinta maior causa de morte materna (e este número pode ser muito maior, considerando as mulheres que nem chegam ou nem tentam ir aos hospitais). Por ser um Estado laico (ou seja, um país que não apoia e nem se opões a nenhuma religião), deve promover políticas sem seguir nenhum valor religioso. A definição de vida e de quando ela começa, varia de crença para crença, mas segundo a própria lei, o aborto pode ser realizado até o final do primeiro trimestre de gravidez já que o feto ainda não tem sentimentos e nem desenvolveu a racionalidade. Fora que, ao se criminalizar, o Estado paga caro com isso, tento que constantemente realizar curetagens (um procedimento que “limpa” o útero após um aborto sem sucesso), só em 2018, o governo gastou 36 milhões de reias. Já em lugares onde se é legalizado, apenas 3% das gestantes precisam deste procedimento.

Quando o aborto é legalizado, se garante uma segurança a saúde da mãe, em Portugal por exemplo, após entrar dentro da lei, só ocorreu uma morte em decorrência do ato em cinco anos.

Com a legalização, se dá as mulheres o direito de escolher ou não fazer o procedimento diante de suas crenças. Defender sua legalização, é reafirmar a liberdade de crença.

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Todas essas informações acima, não são invenções minhas, são pesquisas, dados e estatísticas que mostram que, quando o aborto é legalizado, o número de procedimentos realizados diminuiu, e muito. Por mais contraditório que isso possa ser, é verdade, já que antes do ato, a mulher passa por sessões com uma psicóloga para ver se é isso mesmo que ela deseja realizar, ou se não foi um pensamento gerado por alguma pressão externa, como do pai, como aconteceu no meu caso. Ao se legalizar, as jovens terão mais acesso a formas de proteção, diminuindo drasticamente o número de gravidez indesejadas.  Diferente do que todos pensam, se o aborto fosse legalizado, não ia virar uma grande festa e todas as mulheres iriam correr para os hospitais. Ao se dar o direito da mulher realizar o aborto quando bem entender, você a da o direito de liberdade, garantindo também seu direito à dignidade e à vida.

A discussão aqui, como disseram nossas parceiras argentinas, não é “aborto sim” ou “aborto não”, e sim, “aborto arriscado” e “aborto seguro”. Ninguém será obrigada a nada, mas todas terão direito de escolha.

 

Fontes:

https://medium.com/@moisescorreaoficial/15-motivos-para-ser-contra-o-aborto-df081fcdfa64

https://helloclue.com/pt/artigos/sexo/quais-sao-as-chances-do-anticoncepcional-falhar

https://www.crp03.org.br/28-motivos-para-legalizar-o-aborto-no-brasil/

https://midianinja.org/gabinetona/aborto-5-razoes-para-legalizar/

https://www.geledes.org.br/9-argumentos-que-fizeram-diferenca-no-debate-pelo-aborto-legal-seguro-e-gratuito-na-argentina/

https://azmina.com.br/colunas/8-razoes-porque-aborto-nao-deveria-ser-crime-no-brasil/

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