A Vítima de feminicídio, Tatiane Spitzner

Tatiane Spitzner, advogada de 29 anos, era casada com Luis Felipe Mainver, biólogo de 32. No começo da relação tudo corria bem, eles eram simplesmente um casal “normal” mas com o passar do tempo, ela começou a aparecer com hematomas nos olhos e braços frequentemente.

Um dia ela procurou ajuda de sua amiga para relatar que seu marido não era bom com ela, “tinha ódio mortal” dela, era “grosseiro e estúpido” e que brevemente já se separaria dele, mas não tinha coragem ainda para isso. Muitas vezes, quando conversava desse assunto, Luís Felipe chorava, falava que ia mudar seu comportamento, chorava, colocava desculpas em outras situações e outras coisas típicas que relatamos em nossa outra pesquisa “Relação Abusiva’’. Muitos desses comportamentos começaram a acontecer após ele começar a tomar anabolizantes hormonais.

No dia 22 de julho deste ano (2018), ela foi vítima de Feminicídio.

Houveram  discussões feias entre os dois em um bar. Depois do ocorrido eles voltaram para casa em Guarapuava. Câmeras conseguiram filmar cenas de seu marido dando tapas e socos em seu rosto e essas agressões foram até o estacionamento, onde ele deu um mata-leão em Tatiane que ficou desacordada por alguns minutos. Depois de acordada tentou correr até o elevador mas ele a alcançou e continuou com suas inúmeras agressões até seu último sinal de vida ser filmado no elevador, havia sido estrangulada. Depois de 15 minutos foi relatava sua queda do 4º andar. Ele recolheu o corpo de sua ex mulher, morta, para o apartamento. Luís Felipe trocou de roupa e fugiu em direção ao Paraguai com seu carro, mas ao sofrer um acidente de carro foi pego pela polícia.

Luís Felipe Mainver negou ter matado sua esposa mesmo com provas, disse ter presenciado o suicídio de sua mulher que se jogou do 4º, disse ter fugido por conta de seu emocional e não disse ter matado sua esposa, negou aquele fato para todos.

Várias histórias como essas acontecem todos os dias, muitos não interferem na briga porque usam a famosa desculpa “É briga de marido e mulher”, mas isso não é apenas uma briga de marido e mulher, a pessoa agredida não queria que isso acontecesse, obviamente, então porque não ajudamos? Sempre que ignoramos um fato desse, é mais um agressor que defendemos, aí podem me dizer “Não, mas eu nós não éramos a favor disso, não queríamos que ela acabasse morta, espancada, deprimida…”, nós não queríamos, mas também não fizemos nada, nós só assistimos uma mulher desesperada tentando se livrar dos braços do agressor, tentando tirar aquela dor que ela sentia faz tempo. Vários vizinhos de Tatiane escutaram seus pedidos de socorro e ninguém fez absolutamente nada e suponho que até hoje se sintam culpados por isso…

Reflitam sobre isso, acontecem todos os dias. Não custa nada ajudar a vítima, então siga algumas dicas a baixo:

PERGUNTAR O QUE ELA QUER: Ao invés de simplesmente dizer “saia desse relacionamento”, tente da próxima mudar um pouco dizendo “O que você quer? Se imagine daqui 20 anos… Com quem estaria, o que estaria fazendo?”, faça ela refletir sobre sua própria condição. Segundo Ana Flávia, pesquisas afirmam melhores resultados com essa determinada pergunta.

APOIO: De apoio a todas suas escolhas sobre esse assunto durante esse processo, essas pessoas estão em momentos extremamente delicados e não custa nada ceder para fazê la melhor. Várias pesquisas apontam que o melhor a se dizer é “ Você não é culpada, nada disso foi culpa sua, estou aqui para qualquer coisa, conte comigo, o que está acontecendo é errado!”

ENTENDER O LADO DELA: Nós nunca sentiremos exatamente o que o outro sente, então é essencial que saibamos se os sentimentos dela são de medo, amor, dependência afetiva ou até receio de perder a guarda do filho.

RISCOS: Avalie com cautela os riscos que sua amiga pode estar passando, principalmente na hora em que ela diz “não” ao parceiro é a parte mais tensa. Não pense que já está tudo acabado, porque na maioria das vezes é o momento em que o agressor apela para o feminicídio.

DENUNCIE: Se vir uma mulher sofrendo esse tipo de abuso você tem o direito de denunciar e se quiser fazer justiça por si próprio (a) vá até o agressor e a proteja, intervenha em piadas machistas e constrangedoras para a mulher, não permita que ele desconte a raiva nela. Se for preciso, peça ajuda a outras pessoas.

NUNCA PERGUNTE O PORQUÊ DA AGRESSÃO: Quando perguntamos isso, damos a entender que ela fez algo para merecer isso e também podemos deixá la triste com essa pergunta, então deixe a vítima livre para se expressar. Não apresse, quando ela estiver pronta ela mesmo contará.

OBSS: Em casos na rua o mais aconselhável é denunciar.

 

https://capricho.abril.com.br/vida-real/feminicidio-entenda-o-caso-da-advogada-tatiane-spitzner/

https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2018/08/07/saiba-como-ajudar-mulheres-vitimas-de-violencia.htm

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